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Como se tornar um compositor de trilha sonora para audiovisual?

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Muitos de vocês nos perguntam como entrar no mercado de trilha sonora e construir uma carreira como compositor para Audiovisual. Por isso, hoje, em parceria com a Mackie, trouxemos o compositor Zé Neto, para um bate-papo sobre o setor. Atual presidente da Musimagem Brasil (associação de compositores para imagem), Zé Neto trabalha no mercado audiovisual há quase 30 anos, como compositor.

 

VAV: Como começar uma carreira como compositor? Onde buscar conhecimento?

ZN:.Os caminhos mudaram muito e atualmente eu diria para uma pessoa que desejasse ingressar na área de composição para audiovisual:

– Estude Composição;

– Estude a linguagem audiovisual;

– Estudo tecnologia musical;

– Faça sua rede de relacionamentos (vá nos eventos de audiovisual, esteja presente nas estreias dos filmes, etc)

– Associe-se a produtores de vídeo que tenham o mesmo objetivo, ou seja, ingressar no mercado, e produza conteúdo que possa ser mostrado para diretores e produtores, exibidos em festivais, postado nas redes (depois dos festivais, claro).

É necessário montar um portfólio para começar. E para isso, ao invés de “olhar para cima”, olhe para os lados e procure seus possíveis parceiros na empreitada.

VAV: Como está o mercado atual para quem quer entrar na área, há espaço?

ZN: O mercado de audiovisual está crescendo no mundo todo. A arrecadação de direitos autorais advindos dessa área, no Brasil, já é responsável por 60% de toda a arrecadação no ECAD!

Mas existem contrapartidas. Nem tudo é “musicado” por compositores contratados para tal. Há muita utilização de livrarias (músicas gravadas em vários estilos e minutagens) e também a utilização de músicas conhecidas pelo público.

A figura do supervisor musical está começando a chegar no Brasil, como a pessoa que, sendo músico ou não, entra no processo como responsável (de olho no orçamento), pela utilização de livrarias/ músicas conhecidas/ músico contratado (que pode ser ele mesmo!).

Dentro dessa responsabilidade, estão incluídos os processos de liberação dos direitos das músicas pré gravadas, negociação com livrarias, a interface com o diretor, eventuais músicos, estúdios, advogados, etc.

Então, sim! Há procura, mas ela não cresce para o compositor, na mesma proporção do mercado, visto que existem outras formas de se “musicar” um audiovisual (livrarias e músicas conhecidas).

VAV: Como funciona o processo de criação? Inspiração, referências ou conhecimento?

ZN: Eu diria “os” processos, porque são muitos! Mas o mais motivador chama-se PRAZO DE ENTREGA! Sem ele, eu não funciono (risos). Para cada filme, eu percebo que o processo é diferente, porque existe a questão da interação com o diretor e o estabelecimento de uma relação de confiança! Além do prazo e orçamento, claro!

Eu não gosto muito da palavra “inspiração” porque me remete a uma coisa por demais intangível, talvez mágica, sei lá! Note que a “inspiração” sempre pinta para quem está preparado, comprometido e de olhos, ouvidos, coração e mente, abertos! Prefiro usar a palavra “sensibilidade”, no sentido de estar disponível ao que o diretor quer dizer e ao que o filme está te dizendo! Nem sempre essas informações concordam entre si!

As referências podem ser coisa boa ou terrível! Se elas estão lá e o diretor SABE que elas são passageiras e concorda com o fato de que você não está lá para COPIAR as referências, tudo está bem! Vai até te ajudar. Mas se o diretor se apega de forma por vezes, inconsciente, às chamadas “temp tracks”, teremos um grande problema. O ideal, como sempre comentamos entre os membros da MUSIMAGEM é que sejamos chamados para trabalhar (como músico, supervisor musical ou ambos), assim que o filme começa a ser montado. 

E estando lá, junto ao montador e ao diretor, entramos mais cedo no processo criativo e já vamos entendendo onde tem música ou não e compondo! E com esse tempo a mais, temos melhores chances de afinar as relações, entender melhor os arcos dramáticos dos personagens, pegar o ritmo das cenas e, mais importante, a visão do diretor e ganhar sua confiança.

O conhecimento é fundamental! Sem ele, não se vai a lugar nenhum, claro. Mas poder sem controle é perigoso! Essas 3, chamemos de “energias”(sensibilidade, referências, conhecimento), formam a trama da vida do compositor. Saber lidar, amalgamar, reconhecer, escutar, tudo isso, faz parte do jogo.

VAV: Quais são os desafios da carreira de compositor?

ZN: Escutar mais do que falar, entender mais do que procurar ser entendido, estudar sempre. Direcionar seus esforços para a obra como um todo e não ficar focado só na sua música, pois existem momentos que percebemos que a cena sem a música, pode muitas vezes ficar muito melhor! Manter sob atenção e controle a questão egóica, que faz parte da vida de todo criador/ artista.

Afinal, o silêncio é a base de tudo. A música nasce do silêncio, flerta com as imagens e existência por um tempo e termina, morre, se preferir, no silêncio. Ele está sempre lá! É a garantia.

VAV: Tendo como base o mercado quando iniciou a carreira, quais as perspectivas para os próximos anos?

ZN: Pergunta muito difícil! Não sei responder com clareza. Estou buscando me manter informado, conectado com as pessoas e instituições, estudando e observando o movimento de uma forma geral. Está entrando no mercado, a inteligência artificial, que já compõe e produz música. É ruim? É sofrível eu diria mas estamos apenas começando. Não sei o que isso vai trazer. Eu aposto no que os humanos tem de melhor, que é a capacidade de empatia ou seja, “entrar” na cabeça do diretor e traduzir em som a obra.

 

* Entrevista feita por Thaís Nicodemo.

 

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