Universidades de Audiovisual garantem entrada no mercado?

Entrevista é oferecida por:

Logo Mackie

” Esse problema do mercado não olhar para formação e a formação não olhar para o mercado é um prejuízo enorme para o Cinema e para o Audiovisual brasileiro.” – Luciana Rodrigues

Qual o papel das instituições de ensino no mercado audiovisual? Luciana Rodrigues, ex-presidente do Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual (FORCINE), conversou um pouco com o VAV sobre esse assunto tão importante na carreira de jovens profissionais.

VAV:  Hoje, muitos estudantes de Audiovisual encontram dificuldades para a inserção no mercado de trabalho. De certa forma, parece que o mercado ainda não olha totalmente para esses jovens profissionais. Por que? De onde vem essa não valorização da formação?

LUCIANA: No Brasil, os cursos de Cinema e Audiovisual nas universidades começam nos anos 60. Antigamente, antes da existência desses cursos, as pessoas tinham uma formação teórica em Cinema via cineclube, onde elas faziam essas discussões, ou elas acabavam tendo uma formação técnica em alguns cursos livres. Mas basicamente existia a ideia de que para fazer cinema aqui no Brasil, você tinha que trabalhar com cinema aqui no Brasil. Então a formação era algo que não era muito valorizado. Quando a formação em Cinema começa aqui no Brasil, ela já vem com um certo preconceito do profissionais da área dizendo “Olha que coisa desnecessária, imagina se alguém precisa ter formação pra fazer Cinema.” A gente observa que isso reflete até hoje em algumas políticas no Audiovisual. Basicamente há um hiato entre o mundo do trabalho e efetivamente a formação. Esse problema do mercado não olhar para formação e a formação não olhar para o mercado é um prejuízo enorme para o Cinema e para o Audiovisual brasileiro.

VAV: Em 2015, durante a sua presidência no FORCINE, foi realizado o 1º Seminário Paulista de Ensino e Mercado de Trabalho em Audiovisualna FAAP.  Esse seminário trouxe à tona uma série de informações e dados sobre a questão do mercado ligado às universidades. Como foi esse processo?

LUCIANA: Nós chamamos o pessoal do mundo do trabalho, os produtores daqui São Paulo, para conversar com as instituições de ensino. Mas antes de começar o seminário, nós realizamos uma série de coisas, em conjunto com a Spcine.  Por exemplo, uma pesquisa junto às produtoras perguntando o que sentiam de necessidade em termos de formação. Todas essas informações nós reunimos. Apresentamos dados que foram bastante importantes e começamos a criar novos espaços de discussão, por exemplo, a questão da qualificação do estágio, etc.

VAV: Você falou sobre a questão do estágio,  qual é o papel das universidades nessa inserção dos estudantes no mercado?

LUCIANA: Não é que as universidades vão formar os estudantes simplesmente pensando em adequá-los para o mercado, Mas a gente precisa pensar o que existe em termos de mundo do trabalho e, até mesmo, pensar em como a gente pode alterar a realidade desse mundo do trabalho ou melhorá-la. Por outro lado, o mundo do trabalho precisa dizer para nós o que quer das instituições também.

VAV: Você acredita que se o mercado visse o que é produzido dentro das universidades, esse distanciamento mudaria?

LUCIANA: As escolas têm muita produção, muito curta-metragem. Algumas fazem seriados, há universidades que fazem até longa-metragem. Então sim, eu acho que se a gente tiver uma política de distribuição desses produtos que as escolas fazem, vai ser uma forma das pessoas verem qual é a qualidade que a gente tem. E não é pouca. Porque sem dúvida, a formação dentro de instituições de ensino ajuda a melhorar o mundo do trabalho e, consequentemente, o Cinema e o Audiovisual.

 

Tags:
0 Comentários

Envie uma Resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

VAV AudioVisual - Todos os direitos reservados.

ou

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?