Mulheres no Audiovisual: Canais começam a buscar mais participação feminina

Ei, ficaram sabendo? No dia 04/07 O Seminário Internacional Mulheres no Audiovisual, promovido pela Ancine em parceria com o CineSesc de São Paulo, teve seu segundo painel voltado para a presença da mulher nas produções audiovisuais na TV, VOD e publicidade.

A recém-lançada pesquisa da Ancine se baseou nos 142 longas-metragens brasileiros lançados nas salas de exibição em 2016 para apresentar dados alarmantes sobre as participações de gênero e raça no audiovisual nacional: 75,4% das direções são masculinas e apenas 19,7% são femininas, não havendo nenhuma direção de mulheres negras.

Preocupada com os resultados, Marina Pompeu, analista de projetos e conteúdo do Canal Brasil, buscou em seus dados e percebeu que, realmente, o panorama interno do canal refletia a perspectiva disposta pela Agência. Com 294 coproduções registradas desde o início do canal, apenas 54 foram de direções femininas e 11 de codireções.

Apesar do olhar geral, ela afirmou que de 2016 para 2017 houve um crescimento de 17% aproximadamente nas coproduções dirigidas por mulheres. “Isso mostra que estamos caminhando no rumo certo.”, disse. E ainda assegurou que o investimento em produtos feitos por mulheres é uma preocupação que o Canal Brasil vem trabalhando, por exemplo, com o programa “302”, que conta com uma equipe 97% feminina. Além disso, também criam atrações que realçam as mulheres como a “Mostra Cine-Delas” e “Mulheres no Cinema”, programa que reúne as profissionais dos setores audiovisuais.

Para Maria Ângela de Jesus, diretora de conteúdo internacional da Netflix, são bastantes necessários a diversidade e inclusão nos produtos exibidos por eles e também no quadro interno de funcionários. Aproximadamente 60% dos funcionários brasileiros da plataforma são mulheres e também ocupam cargos de gerência. Já na parte de tecnologia, as mulheres apresentam 30% da área.

Nos produtos exibidos pela Netflix, Maria Ângela afirma que as produções originais também têm presença feminina acentuada. Um exemplo é “Jessica Jones” que, além de contar com protagonistas mulheres, ainda teve a segunda temporada composta por uma equipe 100% feminina. A preocupação com mulheres negras também foi enfatizada pela Shonda Rimes, que trabalha com a Netflix desde 2017.

Daniela Mignani, diretora do GNT, Viva e Mais Globosat, apresenta dados bem satisfatórios no grupo: 71% dos 56 títulos do GNT de 2018 são de direções femininas e, de todos os diretores do canal, 59% são mulheres. Mignani ainda ressaltou sua preocupação em levar a igualdade de gênero também para as produtoras com os quais trabalham, já que um total de 95% das atrações do canal são de produtoras independentes. Ainda sobre desigualdades, ela completa dizendo que a desigualdade racial também não será deixada de lado.

E por falar em desigualdade, o cenário da publicidade é ainda mais desproporcional. Pasmem: dos 367 diretores publicitários nacionais, apenas 46 são mulheres, de acordo com a pesquisa feita pela diretora de cena e representante da “Free the Bid”, Mariana Youssef. Uma pesquisa realizada pela Meio & Mensagem revelou que apenas 20% da parte de criação das agências são compostas por mulheres, assim facilita entender o porquê, de acordo com pesquisas feitas pelo Instituto Patrícia Galvão, 65% das mulheres brasileiras não se sentem representadas pela publicidade.

Levando em conta todos esses dados, surge a plataforma “More Girls”, que tem como meta incentivar as agências a terem 50% de mulheres nos núcleos de criação das agências até 2020. O site da plataforma ainda disponibiliza um mapa com as mulheres do setor, dividindo elas por nível, habilidade e experiência. Assim, Camila Moleta e Laura Florence, representantes do projeto, afirmam: “Não dá para dizer que não existe mão de obra feminina disponível”.

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